Andresen, Sophia de Mello Breyner: Příkladné povídky 1

Andresen, Sophia de Mello Breyner
Příkladné povídky 1

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Era uma espécie de clube de Verão, um grande casarão quadrado, pintado de amarelo e com grades verdes na varanda que dava para a avenida onde os plátanos maravilhosos povoavam a noite...

Sophia de Mello Breyner Andresen: Praia

Era uma espécie de clube de Verão, um grande casarão quadrado, pintado de amarelo e com grades verdes na varanda que dava para a avenida onde os plátanos maravilhosos povoavam a noite.

Cheirava a maresia e a fruta. Longas músicas pareciam suspensas das árvores e das estrelas. E entre as casas brancas, na noite escura e azul, passava o rolar do mar.

Tudo isso envolvia o clube e as suas paredes e janelas, e as suas mesas e cadeiras. E envolvia ainda, agudamente, uma por uma, cada pessoa.

Entrava-se pelo «hall» por uma grande porta que estava sempre aberta.

O «hall» era enorme e tinha no meio uma palmeira nostálgica. A decoração era de 1920, num estilo especial que só existia naquela terra.

Nos bancos verdes, encostados às paredes brancas, cobertas até ao meio por grades de madeira verde, estavam pequenos grupos de pessoas sentadas em frente das mesas verdes.

Havia três grupos escuros de homens e dois grupos mais claros de senhoras de uma certa idade.

À medida que eu ia atravessando o «hall» ia dizendo «Boa Noite» aos vários grupos. Depois espreitei através da porta da sala de jogo, que era de vidro. Os jogadores pareciam condenados à morte que tentavam entreter com calma as suas últimas horas. Estavam abstractos e suspensos e não me viram. Tornei a atravessar o «hall» e entrei na sala de baile.

Era dia de orquestra. A orquestra vinha duas vezes por semana de uma praia vizinha. Os músicos eram magros e novos e tinham smokings velhos, ligeiramente esverdeados pelo uso e pela humidade das invernias marítimas. Eram músicos falhados: sem grande arte, com pouco dinheiro e sem fama. Deviam ser resignados ou revoltados. Espero que fossem revoltados: é menos triste. Um homem revoltado, mesmo ingloriamente, nunca está completamente vencido. Mas a resignação passiva, a resignação por ensurdecimento progressivo do ser, é o falhar completo e sem remédio. Mas os revoltados, mesmo aqueles a quem tudo - a luz do candeeiro e a luz da Primavera - dói como uma faca, aqueles que se cortam no ar e nos seus próprios gestos, são a honra da condição humana. Eles são aqueles que não aceitaram a imperfeição. E por isso a sua alma é como um grande deserto sem sombras e sem frescura onde o fogo arde sem se consumir.

PRAIA in Contos Exemplares - 1ª ed., 1962, Moraes Editores; 35ª ed., 2004, Figueirinhas, © Figueirinhas e Herdeiros de Sophia M. B.
http://nescritas.nletras.com/homenagemasophia/

 

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